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O que é Kanban e como é útil?

O sis­tema Kan­ban começou sua jor­na­da na déca­da de 1950 nas lin­has de pro­dução da Toy­ota, após o qual foi trans­feri­do para escritórios e se tornou uma fer­ra­men­ta impor­tante para ger­entes de projetos.

A flex­i­bil­i­dade ilim­i­ta­da da práti­ca e sua capaci­dade de auto-orga­ni­zar o pes­soal per­mi­ti­ram efi­ciên­cia onde out­ras abor­da­gens não fun­cionaram. É o caso em que o cartão de visi­ta do sis­tema se tornou o próprio cartão — ele se esta­b­ele­ceu como uma moe­da inter­na em orga­ni­za­ções que imple­men­taram o Kanban. 

Origem

Assim como o con­ceito de man­u­fatu­ra Lean, o sis­tema Kan­ban foi desen­volvi­do por ger­entes da Toy­ota. O autor do sis­tema, o engen­heiro japonês Tai­ichi Ohno, foi inspi­ra­do pelos princí­pios opera­cionais dos super­me­r­ca­dos amer­i­canos, onde os clientes sele­cionavam os pro­du­tos de que pre­cisavam. O papel de super­me­r­ca­do” na Toy­ota era desem­pen­hado pelo armazém.
Lá, cartões de sinal­iza­ção — que é o que kan­ban” traduz lit­eral­mente do japonês — eram tro­ca­dos entre os tra­bal­hadores, que reg­ulavam man­ual­mente o proces­so de produção.

Cartões eram anex­a­dos a caixas com peças. Ess­es rótu­los indi­cavam infor­mações sobre o número da peça e a quan­ti­dade, qual depar­ta­men­to as esta­va envian­do e para onde dev­e­ri­am chegar.

O tra­bal­hador dire­ta­mente envolvi­do na mon­tagem de máquinas (“descen­dente”) pegaria peças da caixa à qual o kan­ban” solic­i­tan­do reabastec­i­men­to esta­va anex­a­do. O cartão era removi­do e pas­sa­do jun­ta­mente com a caixa vazia para o trans­porta­dor até o armazém. Lá, out­ro tra­bal­hador prepar­a­va uma nova caixa com peças sobres­salentes, à qual o kan­ban” de pro­dução — uma eti­que­ta con­tendo infor­mações sobre as peças sobres­salentes pro­duzi­das — esta­va anexado.

O kan­ban” de pro­dução era sub­sti­tuí­do por um kan­ban” solic­i­tan­do reabastec­i­men­to e envi­a­do para a lin­ha de pro­dução de peças sobres­salentes — ascen­dente”. Assim, exata­mente a quan­ti­dade de peças especi­fi­ca­da no cartão foi pro­duzi­da. A caixa com novas peças sobres­salentes era colo­ca­da por trans­porta­dores na lin­ha de montagem.

Kanban na linha de produção da Toyota

Princí­pios do Kanban

Os ger­entes da Toy­ota artic­u­laram 6 regras for­mado­ras do sistema:

  1. Tra­bal­hadores do descen­dente” removem exata­mente tan­tas peças do estoque quan­to especi­fi­ca­do no kanban
  2. Tra­bal­hadores do ascen­dente” tam­bém fornecem peças estri­ta­mente de acor­do com os cartões
  3. Nada é pro­duzi­do ou movi­do sem um kanban
  4. O kan­ban deve sem­pre estar anex­a­do às peças
  5. Peças defeitu­osas não são usadas no sistema
  6. Reduzir o número de cartões kan­ban tor­na a gestão mais sen­sív­el a mudanças. Mas, sem extrema neces­si­dade, não é acon­sel­háv­el mudar o número esta­b­ele­ci­do de cartões.
O Kan­ban é um sis­tema puxar”. Ele cria um equi­líbrio entre um fluxo con­stante, que elim­i­na cus­tos de espera, e uma quan­ti­dade mín­i­ma de tra­bal­ho em anda­men­to (WIP), que reduz os riscos de super­pro­dução. O WIP é reg­u­la­do usan­do cartões: seu número é fixo, e as instruções neles ori­en­tam os tra­bal­hadores descen­dentes”.
A regra do tag deve ser anex­a­do” fun­ciona como a lei da con­ser­vação da energia.

O lim­ite de WIP con­siste em pro­porção ao número de cartões kan­ban, que é cal­cu­la­do com base nos níveis de ven­das e na vari­abil­i­dade estatís­ti­ca nos proces­sos atu­ais. O número máx­i­mo de eti­que­tas — a ener­gia” no sis­tema — garante o nív­el supe­ri­or de WIP em qual­quer momen­to. O WIP tam­bém é lim­i­ta­do pelo princí­pio de puxar: a veloci­dade de pro­dução do lado ascen­dente depende da veloci­dade de tra­bal­ho do lado descendente.

Diagrama mostrando a conexão entre Kanban e Kaizen

O grá­fi­co mostra que um dos ele­men­tos bási­cos do sis­tema é a cul­tura Kaizen. Proces­sos autônomos e vari­abil­i­dade padrão lib­er­am a gestão de super­visão con­stante, per­mitin­do que se con­cen­trem na mel­ho­ria do desem­pen­ho dos funcionários. 

Apli­cação do Kan­ban em TI

O sis­tema Kan­ban, con­tin­uan­do a fornecer bene­fí­cios nas lin­has de pro­dução, pen­etrou no domínio do software.

Ape­nas cartões, que con­têm infor­mações sobre pra­zos, descrições ou números de proces­so e o nome do execu­tor, ago­ra estão anex­a­dos não a caixas de peças sobres­salentes, mas a quadros com col­u­nas divididas:

  • Back­log — tare­fas a serem concluídas
  • Tare­fas atual­mente em desenvolvimento
  • Tare­fas con­cluí­das, mas ain­da não entregues aos testadores
  • Tare­fas prontas para entre­ga ao depar­ta­men­to de testes
  • Tare­fas pas­san­do pela revisão do ger­ente de pro­je­to (PM)
  • Tare­fas concluídas

Número é geral­mente escrito aci­ma das col­u­nas — o lim­ite, que indi­ca o número máx­i­mo de proces­sos nelas. O lim­ite do back­log é cal­cu­la­do depen­den­do do tem­po de entre­ga. Se hou­ver 5 proces­sos de tra­bal­ho no sis­tema e o tem­po médio de con­clusão de cada um for de 1 dia, o back­log pode ser lim­i­ta­do a 5.

Kanban em TI

A estru­tu­ra aci­ma não é rígi­da — depen­den­do das especi­fi­ci­dades do pro­je­to, col­u­nas impro­visadas podem ser adi­cionadas. Um sis­tema Kan­ban pode muitas vezes ter a neces­si­dade de definir critérios para a pron­tidão da tare­fa antes da exe­cução. Nesse caso, apare­cem duas col­u­nas, referi­das em inglês como spec­i­fy (esclare­cen­do parâmet­ros) e exe­cute (assu­min­do o trabalho).

  • Out­ra col­u­na com uma fila pri­or­itária pode ser adi­ciona­da. Quan­do um execu­tor se tor­na livre, pre­cisa limpar essa col­u­na de tare­fas primeiro antes de assumir outras.
  • Tare­fas que não foram con­cluí­das são ou retor­nadas ao back­log ou riscadas do esquema.
  • O Kan­ban não incen­ti­va o mul­ti­task­ing, lim­i­tan­do assim o número de proces­sos para cada executor.
  • O tra­bal­ho con­cluí­do é mel­hor do que várias tare­fas iniciadas.
  • Um segun­do tra­bal­ho pode ser assum­i­do se o primeiro estiv­er bloqueado.
  • O tem­po para exe­cução da tare­fa deve ser equi­li­bra­do. Um pra­zo muito cur­to pode afe­tar a qual­i­dade. Um lim­ite exces­si­va­mente esten­di­do con­some recur­sos da equipe e aumen­ta os cus­tos de processo.

Time-box ou limite de tempo para execução de tarefas

Por que o quadro Kan­ban é usa­do em todos os lugares em vez de, por exem­p­lo, tablets ou grandes mon­i­tores? Os defen­sores do sis­tema respon­dem a essa per­gun­ta afir­man­do que um quadro comum tem duas van­ta­gens: é sim­ples e fornece con­t­role visu­al. É fácil faz­er alter­ações nele e incen­ti­va a inter­ação tátil e social entre os mem­bros da equipe.

Van­ta­gens e Desvan­ta­gens do Kanban

O Kan­ban tem as seguintes vantagens: 

  1. Flex­i­bil­i­dade no plane­ja­men­to. A equipe se con­cen­tra exclu­si­va­mente no tra­bal­ho atu­al, com a pri­or­i­dade das tare­fas defini­da pelo gerente.
  2. Alto enga­ja­men­to da equipe no proces­so de desen­volvi­men­to. Dev­i­do a reuniões reg­u­lares, transparên­cia do proces­so e opor­tu­nidades para auto-orga­ni­za­ção, os fun­cionários se unem e mostram inter­esse genuíno.
  3. Duração do ciclo mais cur­ta. Se as habil­i­dades necessárias são pos­suí­das por várias pes­soas, a duração diminui; se ape­nas uma pes­soa as pos­sui, um gar­ga­lo surge. Assim, os fun­cionários devem com­par­til­har con­hec­i­men­to otimizan­do a duração do ciclo. Isso per­mite que toda a equipe tra­bal­he em tare­fas paradas e restau­re o fluxo síncrono.
  4. Menos gar­ga­los. Os lim­ites de WIP per­mitem a ráp­i­da iden­ti­fi­cação de gar­ga­los e áreas prob­lemáti­cas que surgem dev­i­do à fal­ta de foco, mão de obra ou habilidades.
  5. Vis­i­bil­i­dade. Quan­do todos os execu­tores têm aces­so aos dados, fica mais fácil iden­ti­ficar gar­ga­los. As equipes Kan­ban, além dos próprios cartões, geral­mente uti­lizam dois relatórios comuns: grá­fi­cos de con­t­role e fluxo cumulativo.

Na práti­ca, o sis­tema mostra óti­mos resul­ta­dos em áreas de pro­dução não essenciais:

  • gru­pos de suporte de soft­ware ou help desks.
  • O Kan­ban fun­ciona bem na gestão de star­tups sem um plano claro, mas onde o desen­volvi­men­to ati­vo está acontecendo.

O Kan­ban tam­bém tem desvantagens:

  1. o sis­tema fun­ciona mal com equipes de mais de 5 pessoas
  2. não é des­ti­na­do ao plane­ja­men­to de lon­go prazo.

Difer­enças em relação ao Scrum

O Scrum, como o Kan­ban ágil, é uma metodolo­gia flexív­el que tam­bém é fre­quente­mente apli­ca­da na esfera de TI. As difer­enças entre eles não são óbvias à primeira vista. Exis­tem muitas semel­hanças, por exem­p­lo, a pre­sença de um back­log em ambas as abordagens. 



Scrum

Kan­ban

Ritmo

Sprints repeti­dos de duração fixa

Proces­so contínuo

Saí­da de liberação

No final de cada sprint após aprovação do ger­ente de pro­je­to (pro­pri­etário do produto)

O fluxo con­tin­ua sem inter­rupção ou a critério da equipe

Papéis

Pro­pri­etário do pro­du­to, mestre Scrum, equipe de desenvolvimento

Equipe lid­er­a­da pelo PM; em alguns casos, treinadores de Kan­ban ágil estão envolvidos

Métricas-chave

Veloci­dade da equipe

Tem­po de entrega

Em relação à aceitabil­i­dade de mudanças

Durante um sprint, mudanças são inde­se­jáveis, pois podem levar a erros de cál­cu­lo nas tarefas

Mudanças podem ocor­rer a qual­quer momento


Exem­p­los de Apli­cação em TI

Dire­to da Microsoft: O Debut do Kan­ban no Desen­volvi­men­to de Software

O uso dos princí­pios Kan­ban na tec­nolo­gia da infor­mação começou um pouco mais de 10 anos atrás. David Ander­son, um dos prin­ci­pais pro­mo­tores do Kan­ban para desen­volve­dores de soft­ware, con­sul­tou a Microsoft em 2005. Eles estavam insat­is­feitos com o desem­pen­ho de seu depar­ta­men­to — XIT Sus­tained Engi­neer­ing, que con­ser­ta­va bugs em aplica­tivos inter­nos. No iní­cio do ano de relatório, esse depar­ta­men­to era o pior de sua divisão. O back­log exce­dia o taman­ho aceitáv­el em cin­co vezes, e o tem­po de entre­ga para proces­sar um pedi­do era tipi­ca­mente de cin­co meses.

O novo PM, com as con­sul­tas de Ander­son, aumen­tou a pro­du­tivi­dade do depar­ta­men­to prob­lemáti­co em 155% em nove meses. O tem­po de entre­ga ago­ra era de cin­co sem­anas, o back­log voltou a um taman­ho nor­mal, e a con­clusão opor­tu­na das tare­fas esta­bi­li­zou em 90%. Todos ess­es resul­ta­dos foram alcança­dos com uma inte­gração mín­i­ma de novos fun­cionários; a equipe con­tin­u­ou a con­ser­tar bugs da mes­ma maneira — só mudaram as abor­da­gens para orga­ni­zar o trabalho.

Um fato inter­es­sante: o ger­ente de pro­gra­ma Dra­gos Dumitriu, que se propôs a revert­er a situ­ação no XIT, foi sim­ples­mente cati­va­do pelo livro de Ander­son. Para sua sur­pre­sa, ele con­heceu o ideól­o­go do Kan­ban no próprio Microsoft onde havia começa­do ape­nas um dia antes. Dumitriu pediu aju­da a Ander­son com sua tare­fa, e este con­cor­dou em aplicar os princí­pios de seu livro na prática.

Dumitriu encon­trou um depar­ta­men­to com­pos­to por três desen­volve­dores e três tes­ta­dores, que tin­ham 80 pedi­dos acu­mu­la­dos no back­log. O próprio PM foi tem­po­rari­a­mente nomea­do, uma vez que os req­ui­si­tos do tra­bal­ho incluíam exper­tise em tec­nolo­gia ASP, admin­is­tração do SQL Serv­er e con­hec­i­men­to do MS Project Serv­er. A gestão imag­i­na­va um tec­nól­o­go” que pudesse cod­i­ficar, preparar relatórios e pre­v­er a car­ga do back­log nes­ta posição. Como se acred­i­ta­va na época, o prob­le­ma do depar­ta­men­to seria rev­e­la­do se uma grande quan­ti­dade de dados fos­se cole­ta­da. Dumitriu não era esse tec­nól­o­go”.

No entan­to, ao começar a anal­is­ar as oper­ações do XIT ao lado de Ander­son, ele rap­i­da­mente iden­ti­fi­cou os prin­ci­pais fatores que afe­tavam neg­a­ti­va­mente a veloci­dade do departamento:

  • Pre­v­er as impli­cações (ROM) de aten­der a um pedi­do lev­a­va muito tem­po. Tan­to o desen­volve­dor quan­to o tes­ta­dor tin­ham que gas­tar um dia de tra­bal­ho real­izan­do os cál­cu­los necessários, ver­i­f­i­can­do o códi­go e com­ple­tan­do a doc­u­men­tação. Em média, um pedi­do chega­va a cada dia. Segun­do os cál­cu­los do PM, 40% da pro­du­tivi­dade do depar­ta­men­to ia para o ROM;
  • Pri­or­i­dade era dada a pedi­dos de maior val­or. O XIT era finan­cia­do com base no val­or do pedi­do. A pri­or­iza­ção de pedi­dos era dis­cu­ti­da men­salmente em reuniões de ger­entes de depar­ta­men­to com clientes — ger­entes de out­ros depar­ta­men­tos. Com um back­log cres­cente na veloci­dade atu­al, onde ape­nas 6 – 7 pedi­dos eram proces­sa­dos men­salmente, as pri­or­i­dades de out­ros pedi­dos mudavam con­stan­te­mente dev­i­do à pas­sagem do tem­po. Muitos deles eram adi­a­dos para um muito depois”, não igual ao próx­i­mo mês.
  • No está­gio do ROM, metade dos pedi­dos eram fil­tra­dos. Alguns eram grandes demais e foram requal­i­fi­ca­dos como pro­je­tos a serem trans­feri­dos para out­ros depar­ta­men­tos, out­ros eram caros demais e sim­ples­mente can­ce­la­dos. Alguns pedi­dos não eram lev­a­dos para o desen­volvi­men­to porque a imple­men­tação levaria muito tem­po. Assim, 40% da pro­du­tivi­dade do depar­ta­men­to era gas­ta na análise de pedi­dos, 50% dos quais eram descar­ta­dos. Cer­ca de 15 – 20% dos recur­sos de tra­bal­ho foram desperdiçados.
  • O tra­bal­ho preparatório sobre pedi­dos pode­ria se arras­tar por meses antes que a imple­men­tação começasse. Cál­cu­los na fase do ROM podi­am ser per­di­dos ou esque­ci­dos durante esse tem­po. Espe­cial­mente se a imple­men­tação fos­se con­duzi­da por um desen­volve­dor difer­ente daque­le que começou a análise.

Soluções Kan­ban para o depar­ta­men­to prob­lemáti­co da Microsoft


  • Dumitriu e Ander­son insi­s­ti­ram em con­ver­sas com a gestão e os respon­sáveis pelas encomen­das para aban­donar a fase do ROM. Os cál­cu­los eram feitos logo antes da imple­men­tação e pelo mes­mo execu­tor, ou seja, per­mane­ci­am fres­cos”.
  • A pri­or­iza­ção de pedi­dos era fei­ta não durante reuniões men­sais, mas con­forme a situ­ação, por meio de tele­fone­mas ou e‑mails. As 80 tare­fas no back­log eram clas­si­fi­cadas de acor­do com os clientes. Estes eram solic­i­ta­dos a destacar os prin­ci­pais pedi­dos que pre­cisavam ser con­cluí­dos primeiro.
  • O finan­cia­men­to do XIT tornou-se fixo.
  • O cus­to dos pedi­dos não era mais lev­a­do em conta.
  • O PM intro­duz­iu buffers no quadro Kan­ban. Os desen­volve­dores pegavam tra­bal­ho de duas zonas: tare­fas aprovadas e con­cluí­das. Havia 6 pedi­dos no buffer, com 5 sendo tra­bal­ha­dos. Os tes­ta­dores sele­cionavam do buffer aguardan­do teste”. Algu­mas tare­fas que não exi­giam alter­ações no códi­go acabaram lá, con­tor­nan­do os desen­volve­dores. Ao dividir os pedi­dos em proces­sos de tare­fa úni­ca, o PM pôde geren­ciar mel­hor a situ­ação e garan­tir transparên­cia para os clientes. A intro­dução de buffers reduz­iu o tem­po de entre­ga. Os clientes se tornaram mel­hores em deter­mi­nar qual pedi­do dev­e­ria ser colo­ca­do no buffer a seguir, em condições previsíveis.
  • Decisões sobre pedi­dos exces­si­va­mente grandes ou caros eram tomadas ime­di­ata­mente. Se um desen­volve­dor con­fir­masse que pode­ria con­cluir a tare­fa den­tro de 15 dias, ou se as mudanças valessem a pena, então o pedi­do era aceito para tra­bal­har, inde­pen­den­te­mente do seu taman­ho ou custo.
  • Obser­van­do o fluxo no depar­ta­men­to, o PM con­cluiu que a estru­tu­ra de pes­soal dev­e­ria ser alter­a­da em favor dos desen­volve­dores que estavam mais sobre­car­rega­dos de tra­bal­ho. Mudanças foram feitas numa pro­porção de 2:1: no XIT, 4 desen­volve­dores começaram a tra­bal­har ao lado de 2 testadores.
  • Kanban na Microsoft

    No final de 2005, a pro­du­tivi­dade do depar­ta­men­to aumen­tou em 155%. Para mel­ho­rar ain­da mais o tra­bal­ho do XIT, dois fun­cionários foram con­trata­dos: um desen­volve­dor e um tes­ta­dor. O número de pedi­dos no back­log diminuiu para 10, e um desen­volve­dor proces­sou con­sis­ten­te­mente 11 pedi­dos por trimestre. Em média, 56 pedi­dos foram con­cluí­dos por trimestre em com­para­ção com 11 ante­ri­or­mente. O cus­to dos pedi­dos caiu de $7500 para $2900.

    Apli­cação na Corbis

    Depois de alcançar suces­so na Microsoft, Ander­son em 2006 começou a enfrentar uma nova tare­fa com­plexa. Ago­ra ele tra­bal­ha­va na Cor­bis — out­ra empre­sa de Bill Gates, que ain­da não havia saí­do da MS. Uma das ativi­dades da Cor­bis era licen­ci­a­men­to de fotos. Naque­la época, era a segun­da maior bib­liote­ca de fotos de estoque do mun­do, com um ban­co de dados de cer­ca de 3,5 mil imagens.

    A tare­fa de Ander­son era acel­er­ar os lança­men­tos prin­ci­pais da empre­sa. O inter­va­lo entre seus lança­men­tos era de três meses e pode­ria crescer ain­da mais. Ape­nas dis­cu­tir o plano de lança­men­to lev­a­va à gestão duas sem­anas. Era necessário esta­b­ele­cer o lança­men­to de lança­men­tos secundários ou atu­al­iza­ções a cada duas sem­anas. Ao mes­mo tem­po, recur­sos-chave pre­cisavam ser dire­ciona­dos para o pro­je­to principal.

    Um quadro Kan­ban apare­ceu no escritório da Cor­bis, onde Ander­son fala­va com a equipe diari­a­mente. O obje­ti­vo do PM era mel­ho­rar o con­t­role visu­al sobre os proces­sos, incen­ti­var a auto-orga­ni­za­ção e uma maior respon­s­abil­i­dade pes­soal entre os execu­tores. O sis­tema Kan­ban tam­bém visa­va reduzir a super­visão do ger­ente e aumen­tar a produtividade.

    Kanban na Corbis

    Além de cartões col­ori­dos e grá­fi­cos, uma lix­eira” apare­ceu no quadro — para onde tare­fas que eram grandes demais eram enviadas.

    Lixeira na Corbis

    Foto da apre­sen­tação ofi­cial apresentação 
    Um Sis­tema Kan­ban para Sus­tain­ing Engi­neer­ing em Sis­temas de Soft­ware por David J Anderson

    O sis­tema Kan­ban esclare­ceu quan­do o fluxo deixa de ser suave e onde ocor­rem atra­sos, o chama­do gar­ga­lo. Dis­cussões ráp­i­das com a equipe aju­daram a iden­ti­ficar prob­le­mas atu­ais. Por exem­p­lo, os testes lev­avam 3 dias, o que impacta­va neg­a­ti­va­mente o crono­gra­ma de lança­men­to. Três fun­cionários se reuni­ram e encon­traram uma maneira de reduzir o tem­po para um dia.

    Um gar­ga­lo é uma seção do esque­ma ou algo­rit­mo das oper­ações da empre­sa, onde lim­i­tações de recur­sos ou pro­du­tivi­dade humana reduzem acen­tu­ada­mente a capaci­dade do fluxo de tare­fas. Uma escassez de mão de obra, uma inter­net ruim ou um dire­tor de férias blo­queiam ou desacel­er­am a exe­cução de tarefas.

    Lim­ites para cartões Kan­ban foram definidos de maneira empíri­ca duas vezes. Na col­u­na pron­to para desen­volvi­men­to”, os lim­ites foram aumen­ta­dos. Uma nova col­u­na — pron­to para teste” — tam­bém surgiu. Muitos pedi­dos para o lado descen­dente foram mal for­mu­la­dos, cau­san­do des­perdí­cios de tem­po desnecessários. Por­tan­to, o PM inves­tigou as oper­ações do fluxo supe­ri­or e encon­trou erros.

    O pro­ced­i­men­to de revisão de pedi­dos pode­ria levar 100 dias, mas os lança­men­tos ain­da começaram a sur­gir a cada duas sem­anas con­forme plane­ja­do. As decisões sobre o con­teú­do do lança­men­to eram tomadas 5 dias antes da pub­li­cação. A práti­ca de con­tagem, como no caso do depar­ta­men­to XIT na Microsoft, foi aban­don­a­da em favor da pro­du­tivi­dade. As pri­or­i­dades das tare­fas eram definidas de acor­do com o cus­to dos atra­sos” ou pron­tidão dos recursos.

    O sis­tema Kan­ban não ape­nas aju­dou Ander­son a alcançar o obje­ti­vo definido, mas tam­bém mel­horou a moral den­tro da equipe. Graças a dis­cussões cole­ti­vas e vis­i­bil­i­dade dos proces­sos, os fun­cionários esta­b­ele­ce­r­am con­fi­ança uns nos out­ros. A equipe tam­bém abraçou o Kaizen, ou seja, a práti­ca de mel­ho­ria contínua.


    Pro­gra­mas e Aplica­tivos para KANBAN

    Trel­lo

    Trello

    Sis­tema pop­u­lar de Kan­ban para geren­ci­a­men­to de tare­fas. É nota­do por seu ape­lo visu­al e inter­face amigáv­el. Os usuários desta­cam sua super flexibilidade.

    Kan­ban­tool

    Kanbantool

    Quadro gra­tu­ito para dois usuários. Suporte API e inter­faces touch.

    Lean Kit Kanban

    Lean Kit Kanban

    Quadro gra­tu­ito para cin­co usuários com boas recur­sos de colab­o­ração. Suporte API e capaci­dades de importação/​exportação, estatís­ti­cas extensas.

    Kan­ban­ize

    Kanbanize

    Serviço com­ple­ta­mente gra­tu­ito com fun­cional­i­dade decente. Seus pro­pri­etários garan­tem um aumen­to de 300% na pro­du­tivi­dade ao usar seu produto.

    Work­sec­tion

    Worksection


    Ukrain­ian SaaS —  apli­cação para ras­trea­men­to rápi­do e geren­ci­a­men­to de pro­je­tos. Atual­mente, além de con­tabi­lizar finanças e pra­zos, há um grá­fi­co de Gantt. Nos próx­i­mos meses, os desen­volve­dores irão adi­cionar um quadro Kan­ban com opções de per­son­al­iza­ção, tor­nan­do o serviço ain­da mais ade­qua­do para Kanban.


    Veredito

    O Kan­ban é uma práti­ca que aju­da a alcançar o suces­so, enquan­to o uso ape­nas de méto­dos ágeis não é obri­gatório. Mudanças sig­ni­fica­ti­vas são alcançadas elim­i­nan­do o tem­po per­di­do, geren­cian­do gar­ga­los e reduzin­do a variabilidade.

    No entan­to, mudanças bem-suce­di­das exigem tem­po. Elas ocor­rem grad­ual­mente, enquan­to a resistên­cia da equipe às ino­vações é mín­i­ma. O sis­tema Kan­ban moti­va o pes­soal a mel­ho­rar sem mudanças nos méto­dos de engenharia.

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